Fique longe da depressão pós-parto

Conversei com profissionais na área de psiquiatria e pediatria para entendermos um pouco sobre os sinais que você ou alguém conhecido possa apresentar. Estudos apontam de 10 a 15% de casos de depressão pós-parto. Veja como evitar o quadro

 

Por causa das alterações hormonais pelas quais a mulher passa durante o período de gestação, cerca de 50% a 80% delas apresentam algum grau de tristeza a partir do terceiro dia após o parto e pode se estender pelos primeiros 15 dias. Depois desse período, se o quadro permanecer, aconselha-se procurar um psiquiatra ou o próprio ginecologista para uma avaliação.

 

Mudanças fisiológicas

No entanto, geralmente, isso acontece porque a mulher recebe uma carga hormonal excessiva durante 9 meses e, de repente, esses níveis hormonais caem! “Além disso, a mãe recebe um benefício (o bebê) sem manual de instruções, o que gera muita ansiedade”, explica a médica pediatra e neonatologista Flávia de Oliveira.

 

Muita cobrança

As pressões e as expectativas que a mulher passa na gestação e no pós-parto também causam um estresse muito grande. Tudo isso somado às mudanças hormonais e metabólicas, gera ansiedade e os sintomas de depressão ficam mais evidentes. “A mulher não deve esconder os sintomas por não estar suficientemente feliz neste momento da sua vida”, alerta o psiquiatra Marco Antônio Spinelli.

 

Conforme os dias vão passando a mãe vai recuperando suas características e aos poucos voltando a rotina. Quando esses sintomas se mantêm e se tornam mais graves, a depressão pós-parto passa ser uma possibilidade. Confira outros sintomas que podem estar relacionados:

 

– Dificuldade para dormir mesmo com sono

– Cansaço

– Tristeza constante e profunda

– Medo de não dar conta

– Hostilidade contra o bebê ou os que a cercam

– Aumento ou diminuição do apetite

– Irritablilidade

– Explosões de raiva sem motivo aparente

– Mudanças de humor repentinas

– Chorar com facilidade ou sem motivo

– Culpa por não estar feliz

– Insegurança

– Baixa autoestima

– Insegurança e medo, que podem se manifestar como superproteção ou ciúmes

 

Ajuda médica

“A própria mulher não deve ter a responsabilidade de se auto-diagnosticar. Ela está muitas vezes exausta, com dor e sentindo vários tipos de desconfortos. Além do entra e sai de visitas, parentes palpiteiros e enfermagem pregando as virtudes da amamentação. Ter ou não uma depressão pós-parto não deve ser uma preocupação para ela. Se estiver com essas mudanças de humor e elas forem piorando com o tempo, ela deve pedir uma avaliação e ajuda. Mas não está em condições de se auto diagnosticar”, adverte Spinelli.

 

Doses anti-depressão

O parto normal e a amamentação são protetores naturais contra a depressão pós-parto, porém não são suficientes em alguns casos. Alguns fatores que podem ajudar a impedir que este quadro se manifeste:

 

  • Exercícios físicos
  • Alimentação saudável
  • Exposição ao sol
  • Evitar o estresse
  • Noites bem dormidas
  • Acompanhamento psicológico durante o período

 

Antecedentes de doenças como depressão relacionada ou não a gestações anteriores aumentam o risco da depressão pós-parto em 50%. A mulher que já teve depressão pós-parto na primeira gestação pode ter em outras, assim como a que nunca teve também pode apresentar em qualquer uma delas. Porém, é mais frequente na primeira. “Muitas vezes a família é o ponto de apoio para o diagnóstico”, comenta Flávia.

 

Após o diagnóstico, o ideal é introduzir a medicação após a amamentação. “Mas a vida está muitas vezes longe do ideal. Existem medicamentos que já se provaram seguros para o bebê. É melhor para a mãe e para a amamentação que a Depressão seja tratada. Dá para conciliar remédios e amamentação sem riscos para ambos!” explica o psiquiatra.

Eu, particularmente, passei por muitos desses sintomas nas 3 gestações, mas com o passar dos dias acabava me entretendo com a rotina e eles passavam rapidamente. Mas a baixa auto estima, cansaço, preocupações recorrentes à inexperiência, insegurança, falta de sono pra mim ainda persistiram por muito tempo, principalmente na primeira gestação, porém também são normais quando somos mães de verdade! O importante é ficar atenta aos sinais e não ter vergonha de procurar um profissional para tirar suas dúvidas. Prevenir é sempre a melhor escolha!

Pat Perri é jornalista, mãe de 3 crianças e já passou por muitas mudanças difíceis como mulher. Chegou a pesar 82 quilos, mas deu a volta por cima e hoje desfila um corpo saudável e lindo aos 40 anos. Por isso, virou uma blogueira de referência.
Como colunista da Revista Fit, ela mostra seu ponto de vista e traz dicas para ajudar as mulheres a recuperarem a autoestima depois da maternidade, com dicas saudáveis de alimentação, fitness e lifestyle.

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